— dias de chuva —

Cama

Voltei a uma cama onde não dormia há 10 anos. Onde fui feliz há mais do que isso. As tragédias, por vezes, fazem-nos voltar ao que éramos. A descobrir que ainda somos. Está igual. Fria e solitária. Instável e silenciosa. O tempo passou e nada aconteceu, nada mudou. A cama que hoje é desconfortável e não serve para nada, serve para o que há. Sempre foi.

E aqui estou, entre paredes rachadas e ideias abandonadas. Ás vezes deixa-se o que se deseja pelo que se tem. Ás vezes não. Ás vezes inventam-se razões. Ás vezes mente-se. Ás vezes não.

A memória esfuma-se, engana, queremos já o que demorou, desiludimo-nos com o expectável. Na dúvida, fugimos.